Pular para o conteúdo principal

A felicidade está à venda

Esse é minha primeira postagem para o blog "Fisolofando". Estou naturalmente ansiosa, e não porque o nível de hormonio oxitocina seja produzido pelo meu organismo falha ao produzi-la. Estou ansiosa porque começar algo novo é estressante. Assim é com a felicidade, salvo para aqueles cujos neurônios não conseguem captar serotonina (existe um medicamento muito especial à venda numa fármacia perto de você).


A questão está em como nosso corpo reage a certas situações e como nós as interpretamos. Quando alguém fala que se sente feliz, provavelmente se refere a uma sensação prazerosa, júbilo, contentamento. Há quem dirá que é muito feliz, está confortavel com sua vida e em paz. O conceito de 'Felicidade' abrange tanto o aspecto da emoção quanto o da espirutualidade. E se você ainda não havia percebido e refletido sobre isso, saiba que milhares de pessoas não apenas o fizeram como souberam tirar proveito.


Quais elementos tornam um individuo feliz em nossa sociedade? É uma questão por demais idiossincrática, particular? Não. Se experiências nos podem conduzir à ansiedade, ao desconforto e também ao contentamento, faz-se necessário apenas obtê-las. Há um mercado pronto para apetecê-lo com o melhor que o dinheiro pode comprar. Procura alegria? Chocolate, cheio de triptofano. Se quer uma noção de ser feliz, pode comprá-la. Os religiosos que me perdoem, mas não existirá um comércio nas igrejas?


O vendedor habilidoso sabe que deve associar ao seu produto qualquer coisa que leve à felicidade. Segurança, qualidade e satisfação. O que explicaria o fato de só no estado de São Paulo terem sido gastos 311 milhões de reais em propaganda no ano de 2009, afinal, "a propaganda é a alma do negócio". A empresa de telefonia 'Claro' torna esse objetivo ainda mais perceptível ao lançar o comercial "Felicidade", e também a notória megacorporação 'The Coca-Cola Company' que produziu a peça cenográfica e todo o resto da campanha "Happiness Factory".


Caros leitores, eu recomendo a todos aqueles que buscam a felicidade que se esquivem desse jogo. Não comprem fluoxetina pra sentirem-se melhores consigo mesmos. Nem comprem aquela bolsa caríssima, nem comam chocolate ou bebam até demonstrarem sintomas de coma álcoolico. Façam exercícios regurlamente, aumenta os níveis de endorfina (substância produzida durante e depois da atividade física)! E é de graça.
P.S: minha única intenção é promover uma reflexão a respeito. Algum questionamento sadio.

Nathália Marques

Comentários

  1. só sei q não confio em gente q se diz mto feliz... felicidade pra mim é um estado e não uma constante e é por isso q raramente sou feliz. Bem vinda ao blog... :)

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Quincas Borba (1891) - resenha

Sem revelações significativas do enredo. “Ao vencedor, as batatas”, tal é a frase que Pedro Rubião repete do início ao fim de Quincas Borba , de Machado de Assis. Trata-se de um enunciado proferido inicialmente pelo filósofo do título, numa tentativa de explicar ao referido Rubião sua doutrina, denominada por ele Humanitas. Assim, a situação hipotética de um campo de batatas e duas tribos famintas é evocada. Quincas Borba, então, propõe: Supõe tu um campo de batatas e duas tribos famintas. As batatas chegam para alimentar uma das tribos, que assim adquire forças para transpor a montanha e ir à outra vertente, onde há batatas em abundância; mas, se as duas tribos dividem em paz as batatas do campo, não chegam a nutrir-se suficientemente e morrem de inanição. A paz, nesse caso, é a destruição; a guerra é a conservação. Uma das tribos extermina a outra e recolhe os despojos. [...] Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas. (ASSIS, M. “Quincas Borba”. Sedregra, Rio de ...

A morte de Ivan Ilitch e a morte de todos nós

"Caio é um homem, homens são mortais, logo Caio é mortal." - o mais clássico dos exemplos de silogismo e o axioma máximo de nossa existência. No entanto, meu amigo, isso não se aplica a você. Primeiramente, quem é Ivan Ilitch? É o personagem principal de A morte de Ivan Ilitch do escritor russo Liev Tolstoi (Leon em algumas versões), publicada pela primeira vez em 1886, é considerada por muitos como a obra-prima de Tolstoi e uma das obras máximas da literatura russa. Gastaria umas boas linhas descrendo a história e o personagem em toda sua complexidade, então, para resumir: Ivan Ilitch o homem ao qual a idéia da morte apavora. O silogismo acima aparece quase ao fim da história: O exemplo de um silogismo que aprendera na Lógica de Kiezewetter, “Caio é um homem, os homens são mortais, logo Caio é mortal”, parecera-lhe a vida toda muito lógico e natural se aplicado a Caio, mas certamente não quando aplicado a ele próprio. Que Caio, ser abstrato, fosse mortal estava absolutamen...

VLOG 1 - Aborto e maconha (2)

Olá, pessoal. Primeiro vlog que eu gravei, perdoem caso tenha ficado a desejar. Aproveitem: Pontos que eu esqueci de abordar no vídeo: * Ser a favor da legalização do aborto não é ser a favor da prática. O argumento defendido é sobre a pessoa ter a liberdade de escolha caso queira ou não ter um filho. * Não defendo que o governo arque com as despesas de abortos, pois o dinheiro (em forma de impostos) que está sendo usado também vem de contribuintes que não são a favor da legalização. * Não sou usuário de NENHUM tipo de droga. * A legalização da maconha não enfraqueceria tanto o tráfico, porque existem outras drogas ilícitas que são traficadas. Porém, os usuários não seriam tratados como criminosos, nem precisariam ter contato com eles, uma vez que o acesso à droga seria facilitado. * Com o acesso facilitado à droga, é possível que muitas pessoas tornar-se-iam usuários, mas não é uma regra. A se tratar da Holanda, por exemplo, onde o consumo não houve variação positiva significativa...