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Redes sociais, internet e S.O.P.A.

Os seres humanos sempre precisaram se relacionar entre si, sempre houve a necessidade de tagarelar acerca da vida dos outros e perder tempo com futilidades. Alguns humanos se encontravam em locais públicos para se divertir com essas coisas, mas com o tempo esse hábito foi sendo substituído pelo de ficar em casa navegando na internet. Esta, que surgiu em tempos de guerra, é hoje a melhor forma de se manter informado das notícias mais importantes ou mais frívolas de todo o mundo. A internet diminuiu as distâncias e facilitou o conhecimento de vários assuntos. Porém, a maioria das pessoas parece desperdiçar os inúmeros benefícios que essa ferramenta pode trazer.

As redes sociais surgiram como organizações de pessoas que partilhavam interesses, objetivos ou valores em comum. Com o tempo, foram se tornando um espaço virtual público para interagir com amigos e pessoas desconhecidas, não havendo necessariamente objetivos e valores em comum entre essas pessoas, porém sempre houve um mesmo interesse: comunicação. A quantidade de inutilidade nas redes sociais corrobora com a minha opinião de que a maioria das pessoas desperdiça o grande potencial da internet. Não estou dizendo que deveria ser um espaço apenas para notícias ou informações sobre a cotação do dólar, etc., como já disse acima, o ser humano precisa de um pouco de futilidade, mas eu sou do tipo de pessoa que pensa que tudo demais faz mal. Se tudo em excesso é nocivo, é bom variar um pouco, mudar a postura em alguns momentos.

Mesmo com muito de seu potencial ignorado, a internet ainda é uma excelente ferramenta, onde todo mundo fala o que quiser, ou seja, o lugar onde a liberdade de expressão pode ser utilizada. Alguns parlamentares americanos propuseram uma lei para tentar acabar com a pirataria na internet, a Stop Online Piracy Act, S.O.P.A. (não tenho intenções de explicar esse projeto de lei, se quiser entender melhor, o Google é uma excelente alternativa). Fechar sites com conteúdo protegido é acabar com 90% de toda a rede. Isso significaria que um usuário do youtube não poderia postar um vídeo cantando uma música de seu cantor favorito. Ao meu ver, as propostas de leis antipirataria só acabam censurando a internet. Não sou a favor da pirataria, mas também não me apetece nem um pouco essa solução.

Existem milhares de sites com conteúdo mil vezes pior, como sites de pedofilia, exploração de menores, enfim, tudo o que é nocivo à sociedade e crime antes mesmo da pirataria existir. Mas a pirataria atinge as grandes empresas, a imbatível indústria do direito autoral, que perde dinheiro com downloads e lucra com o trabalho dos que realmente produzem. Ou você realmente acha que os músicos (só pra citar um exemplo) são os que mais faturam com suas composições?

Eu sou contra o direito autoral, não acho justo alguém receber por cada vez que uma música é cantada ou ouvida. Nenhum artista precisa trabalhar de graça, até porque no capitalismo trabalho vale dinheiro, mas um músico deveria receber a quantia que lhe valesse a composição. Suspender sites que apresentam conteúdo "pirata" é uma burrice enorme, até porque na maioria dos casos as pessoas não estão roubando nada, estão apenas compartilhando (ver exemplo de usuário do youtube). Como até agora citei apenas exemplos na música, existem muitas bandas que lançam álbuns pela internet, onde qualquer fã pode baixar gratuitamente, fazer doações ou comprar o álbum físico. Bandas como Radiohead e Tequila Baby que aderiram a essa alternativa vivem de shows e publicidade, muitas outras vendem seus álbuns pelo preço que as pessoas acham que vale. Os tempos são outros, não dá para continuar com essa forma absurda de lucro.

O maior site de compartilhamento de arquivos (o Megaupload) foi removido do ar e seu fundador preso, um absurdo. Agora o mais importante é ficar de olho para que o mesmo não aconteça no Brasil, até porque já tem político interessado na proposta americana. Não vamos deixar que censurem a internet.

Renan Almeida

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