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Feminismo, de novo.

Olá a todos e a todas. Em maio de 2013, fiz uma postagem aqui no blog sobre o movimento feminista e a marcha das vadias.
Quase um ano depois, retorno a esse tema, visando ajudar pessoas que pouco conhecimento possuem dele. Eu também sou bastante ignorante no assunto, não quero enganar que sou um profundo conhecedor. Longe disso. No entanto, quando se está na universidade e se não tem preconceito e resistência em conhecer a pauta feminista, pode-se adquirir uma experiência mínima que possibilite pelo menos iniciar a discussão.
Pois bem, na minha última postagem sobre feminismo (que você pode acessar clicando aqui), chamei atenção à confusão com o emprego do termo. Acredito atualmente que não há uma confusão com a palavra – não no sentido que eu havia anteriormente proposto (1) – mas sim uma variedade muito grande de vertentes feministas, cada qual com sua pauta própria de reivindicações, do que não se pode aferir que se constitua um movimento único. Há feminismo de esquerda, feminismo de direita, feminismo liberal e conservador. Reduzir o feminismo a uma de suas manifestações é uma completa besteira, além de demonstrar uma total falta de conhecimento sobre o assunto (2).
Tendo feito essa consideração, preciso comentar agora um ponto que vem me incomodando recentemente. Algumas vertentes feministas defendem a liberdade da mulher de manter seus pelos corporais, não se depilar, sem que com isso seja vítima de preconceito e ofensas das mais abomináveis. Existem pessoas que têm uma grande dificuldade de aceitar isso e arrumam desculpas das mais variadas para defender sua oposição a essa liberdade básica (3). Acredito que isso pode ser rebatido com simples colocações (por mais óbvias que sejam): defender a liberdade de não se depilar não é defender a obrigatoriedade de se manter os pelos; você não é obrigado a casar ou namorar uma garota que não se depila; não diga que “mulher que não se depila quer ser macho” porque não tem nada a ver; você não precisa gostar de mulheres com pelos, só não fique por aí reproduzindo comportamentos machistas (4).
Outro ponto que eu gostaria de abordar nessa postagem é a questão da linguagem inclusiva. Caso você não saiba do que estou falando, trata-se daquela forma de escrita que visa contemplar ambos os gêneros. Você já deve ter visto alguém que escreveu “todxs alunxs” ou “tod@s alun@s”. Então, é isso. Infelizmente, não estou com tempo o suficiente para me informar sobre esse tema, de forma que o abordarei em uma postagem futura, quem sabe. Mas posso dizer que já li um texto muito interessante que me abriu a mente para esse tipo de escrita. E eu, assim como muitos, achava frescura, besteira.
Acredito que a nossa era é a era do politicamente incorreto. A moda agora é fazer piada preconceituosa com minorias sociais e políticas e achar isso bacana. E quem quer que critique é porque tá de “mimimi”. Tudo isso se defende em nome de uma concepção equívoca de liberdade de expressão, a qual prega que tudo se pode falar sem nenhuma responsabilidade. Quando se critica a piada racista ou homofóbica é porque existe uma “ditadura do politicamente correto”. Devemos muito disso a figuras como Danilo Gentili, que cada vez mais mostra um discurso impregnado de conservadorismo barato. Vivemos na era da “zueira”. Mas isso tudo é tema para outra postagem. Minha mensagem aqui é cresça, supere o machismo e quaisquer outros preconceitos. Eu não sou o expert em feminismo, não estudei a fundo as suas diversas manifestações, mas aprendi um pouco ao longo do tempo. E continuo aprendendo. Espero que este texto tenha sido útil. Obrigado pela leitura e até a próxima.

Renan Almeida.

Notas
1 – Na minha postagem de 2013, eu sugeri não apenas que a confusão se devia ao fato de as pessoas identificarem o feminismo como correspondente contrário do machismo, mas também que havia uma compreensão “errada” da palavra e por isso recomendei o site “Isso não é feminismo”. Penso agora que o que este site faz é defender uma das concepções de feminismo, apontando o que não diz respeito a essa mesma concepção. O que quero dizer é que “supremacia feminina”, um dos exemplos citados, também poderia ser uma concepção de feminismo, considerando a imensa quantidade de vertentes.   
2 - Essa colocação é importante justamente para quando se depara com vídeos como este: https://www.youtube.com/watch?v=dcGD72Hd_lY.
3 – A mais famosa é “ah, mas isso é questão de higiene”.
4 - Feita essa defesa, não concordo, contudo, que a mulher que se depila seja “oprimida” ou quaisquer adjetivos do tipo. Estamos aqui falando de faculdade, liberdade de escolha. Pode-se, talvez, fazer analogia com o caso da barba masculina. 

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